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		<title>Javier Marías, Balzac</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jun 2011 20:59:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antoniomarcospereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje ia fazer uma prova sobre a trilogia do Javier Marías &#8211; que, como vocês sabem, não li. Não tinha medo: planejava improvisar, usando o que já li do Marías mais o que já li sobre, achei que com isso ia dar conta. Cheguei e, como de costume, havia toda aquela liturgia na biblioteca, a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=402&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje ia fazer uma prova sobre a trilogia do Javier Marías &#8211; que, <a title="Fala Vinicius Castro" href="http://derivativo.blogspot.com/2011/03/figures-of-adequate-imagination-de-vez.html" target="_blank">como vocês sabem, não li</a>. Não tinha medo: planejava improvisar, usando o que já li do Marías mais o que já li sobre, achei que com isso ia dar conta.</p>
<p>Cheguei e, como de costume, havia toda aquela liturgia na biblioteca, a arrumação dos dias de exame, o silêncio. Quando estava já pra começar a escrever, entrou no salão um homem de uniforme, um guarda, e trocou algumas palavras com o supervisor que, imediatamente, apontou para mim, assentindo com a cabeça. O guarda se aproximou, me abordou, confirmou meu nome, e me disse que eu precisaria retirar meu carro, que estava obstruindo o trânsito.</p>
<p>Obviamente, me atrapalhei, me esbafori e me apressei, saí correndo para tirar o carro logo e voltar o quanto antes, a tempo de ter tempo para fazer o exame. Mas ao retornar a biblioteca parecia ter se desdobrado em várias outras, uma infinidade de salas e corredores e escadarias semelhantes que nunca me levavam à minha sala, ao salão de onde eu tinha saído, onde me esperava meu supervisor, meus colegas e, em minha mesa, minha folha de exames com meu nome, minhas canetas, tudo de que eu precisava para escrever minha dissertação sobre a trilogia de Marías. Perguntei a uma pessoa que lia no corredor sobre o teste e ele fez um gesto em direção a uma sala e me disse <em>Aqui é sobre Balzac. </em>Caminhei mais, a luz baça dos vitrais no corredor, apertei o passo para alcançar uma moça que caminhava à minha frente e perguntei a ela sobre a prova e ela disse <em>Eu também tô indo pra lá, tô atrasada, é no salão, sobre Balzac, não é?</em></p>
<p><a href="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/06/codring2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-403" title="Codring2AllSouls" src="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/06/codring2.jpg?w=720" alt=""   /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ensaio.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ensaio.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ensaio.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ensaio.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ensaio.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ensaio.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ensaio.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ensaio.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ensaio.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ensaio.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ensaio.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ensaio.wordpress.com/402/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ensaio.wordpress.com/402/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ensaio.wordpress.com/402/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=402&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">antoniomarcospereira</media:title>
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		<title>História abreviada dos livros que publiquei</title>
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		<pubDate>Fri, 13 May 2011 00:57:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antoniomarcospereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lancei três livros até agora. O primeiro foi uma coletânea de textos do Rorty: três conferências, um texto autobiográfico, um texto de prognóstico e profecia: todos traduzidos com muita alegria por mim, em meu velho Mac Classic, e revisados em conversas com minha então orientadora. O livro contava ainda com uma introdução que eu e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=394&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lancei três livros até agora.</p>
<p>O primeiro foi <a title="Aqui está a orelha" href="http://www.rubedo.psc.br/Revista/eufmg/textos/pragmat.htm" target="_blank">uma coletânea de textos do Rorty</a>: três conferências, um texto autobiográfico, um texto de prognóstico e profecia: todos traduzidos com muita alegria por mim, em meu velho Mac Classic, e revisados em conversas com minha então orientadora. O livro contava ainda com uma introdução que eu e ela escrevemos juntos e com uma orelha generosa do Luiz Eduardo Soares. Nunca houve lançamento desse livro, nunca dei autógrafo, e sequer fui remunerado pelo trabalho; a edição se esgotou, e eu mesmo só tenho um exemplar. Lembro de ter ficado feliz quando apareceu, lembro de ter achado bonito e de ter sentido orgulho.</p>
<p>O segundo foi <a title="O &quot;Protocolos Críticos&quot;, do Rumos Itaú Cultural - Literatura" href="http://www.iluminuras.com.br/v1/verdetalheslivros.asp?cod=411" target="_blank">um livro que resultou de um prêmio que recebi de um banco interessado em promover a cultura</a>: meu nome saiu na capa, junto com o de outros onze premiados, e o livro é esse balaio, sem outro norte a não ser o conferido pela premiação. O texto que saiu nesse livro me trouxe muita alegria: talvez pela primeira vez tenha me arriscado, tenha escrito algo sem saber direito o que escrevia. Era, é claro, apenas um ensaio: comentário, crítica, que é tudo que escrevi até agora, tudo que escrevo. Mas era também uma outra volta do negócio: acreditei  que o texto honrava minha relação com o Autor que comentava, e não me sentia perseguido pelo medo do erro.  Depois desse livro fiquei um tempo cheio de sonhos loucos de um novo começo, acreditei que estava descobrindo algo a respeito da <em>escritura. </em>Eu era e sou um filho de Barthes &#8211; bastardo e tardio e não-planejado, mas amado, no amor que vai de mim pra ele, sempre &#8211; e estava descobrindo aos trinta e poucos anos o que, enfim, se queria dizer com a distinção <em>escrevência/ escritura. </em>Mas, é claro, nada ocorreu, pois assim é a vida: as coisas só ocorrem às vezes, seria talvez o caso de compreender isso que chamamos de adventício a partir de outra matriz de valoração &#8211; pois vivemos todos mais ou menos escravos da razão prática e da lógica do resultado, do suposto matrimônio de trabalho e amor, mas o que fazer de amores de dissipação, de forças-de-vontade que se esgarçam sem muito ônus, sem muita preocupação com operações monumentais de fixação de marcos de passagem &#8211; o que fazer? Claro está que, se a pessoa pensa em coisas assim, apenas ocorreu algo da mesma ordem daquilo que nutriu a fatura do ensaio que propiciou essa forma peculiar de aprendizagem e alegria que nunca se fixou nem em conquista nem em método nem em transformação da vida nem em epifania &#8211; e, como tudo o mais, também se foi.</p>
<p>O terceiro foi um livro que escrevi sem saber que estava escrevendo, pois o que estava escrevendo eram uns artigos com <a title="Fábio Belo" href="http://www.fabiobelo.com.br/" target="_blank">um amigo</a> pra uns eventos acadêmicos que foram aparecendo. Me impressiona observar o pouco que lembro hoje de como foram escritos esses textos: o que lembro é do período, e isso é como lembrar do conjunto, mas não do conteúdo, e só são coisas vagas, minha dureza eterna, o apartamento, os livros, a mesa, a cama, os cigarros, uma lâmpada que eu adorava, as estantes que eu fiz. Mas lembro, claro, da <em>amizade: </em>lembro da presença dessa pessoa, meu amigo, o co-Autor, em minha vida, como uma pontuação: a primeira vez que nos encontramos, conversa X, conversa Y, conversa Z, visitas, saídas, risadas, conselhos; sua insistência para que eu parasse de fumar e começasse a nadar, a diferença na ordenação e no suposto projeto de nossas vidas, o gosto musical lastimável que até hoje o caracteriza. Uma vez viajamos os dois para a Europa e não nos encontramos em Praga por dias de diferença &#8211; e, depois, rimos ao pensar no encontro fortuito, ele de terno e com toda pompa e circunstância, eu de mochila e o antípoda da pompa. Outra vez, na véspera de minha defesa de doutorado, nos encontramos sem marcar nada na hora do almoço no restaurante japonês que, seis anos antes, eu tinha apresentado a ele. E outra vez liguei pra ele de um orelhão porque me sentia totalmente solitário, e achava que ninguém mais poderia ter algum interesse em me ouvir a não ser, talvez, ele &#8211; o que nos diz que o melodrama, como Puig bem sabia (e Barthes também), tem sua zona de pertinência facilmente verificável na carne de quem o vive, onde habita como <em>punctum</em>.</p>
<p>Esses são os livros que há, mas há também os que virão.</p>
<p>Um próximo contará como, ao longo de sete anos, <a title="Onde se fala etc" href="http://ensaio.wordpress.com/2011/03/14/saida-a-francesa/" target="_blank">persegui um projeto de escrever uma biografia de um Autor que admiro</a> e <a title="Por exemplo" href="http://www.letras.ufmg.br/espanhol/Anais/anais_paginas_%200-502/Biografema.pdf" target="_blank">naufraguei seguidamente</a>. O livro será a contrafação do insucesso que constitui sua matéria; vou gostar muito de escrevê-lo mas será, é claro, pouco lido e logo esquecido.</p>
<p>Um outro será uma investida de reescrita crítica de alguns textos que admiro mas que julgo problemáticos e enfadonhos, são como uma refeição boa que melhoraria com o apropriado condimento. Assim, em um dos contos veremos trechos do <em>Diário de Moscou, </em>de Benjamin, mas com um pouco de sexo, por favor, pois tanto tesão pela Asja não sobreviveria sem alguma puta, sem alguma masturbação, sem subir pelas paredes em ardor. Em outro, pego dois de <em>Os Três Mosqueteiros </em>e os coloco a caminhar por uma alameda a discutir algumas questões menos monárquicas, e mais suculentas: Athos descobre uma forma de proto-Marxismo, e começa a temperar suas análises de conjuntura com essa mirada oblíqua, sugerindo estratégia a partir de pressupostos Revolucionários. Um terceiro e último conto &#8211; pois o livro será também, evidentemente, uma homenagem a Flaubert, dispensável para ele mas necessária para mim &#8211; será a história de um arqueólogo jovem, em início de carreira, escavando em Túnis e descobrindo ruínas com inscrições, textos antigos que contam uma história alternativa à que é contada em <em>Salammbô</em>: o arqueólogo ignora Flaubert e, enquanto ele pensa ver a escrita da História nós, que lemos a história dele, sabemos que já não sabemos mais qual é o fim da Ficção. O livro será um exemplo de crítica como prática revisionista da literatura &#8211; e será demolido pelos neoconservadores da crítica, esses que ainda estão de fraldas agora mas estarão de dedo em riste no futuro próximo, prontos a antagonizar tudo que seja um mundo que não seja o seu &#8211; mas se pagará plenamente pelas gargalhadas que darei ao escrevê-lo, e será lembrado, de vez em quando, por meus amigos.</p>
<p>Há um outro, por fim, um livro meio acadêmico, que coleta todas as coisas lindas que o <a title="Sobrinho, Amigo, Irmão Goncourt" href="http://falcaoklein.blogspot.com/" target="_blank">Kelvin</a> me sugeriu ao longo dos anos. <em>Tio Toni, porque você não escreve aquela história do grego em Nova York? </em>ou <em>E aquele texto que você disse que ia fazer comparando o minimalismo de Carver ao de Lydia Davis, hein? Cadê? Tinha até título, o título ficou bacana. </em>ou <em>Você lembra que me disse uma vez que tinha um ensaio sobre o </em>Diário do ano da peste, <em>de Defoe? Que fim levou esse texto?  </em>Esse livro escreverei sem esforço quase nenhum, o que é uma mentira, e será um bom começo portanto para um livro que só tratará de fatos: nele, vou incluir aquele trecho do meu diário no qual conto a respeito do dia em que atravessamos a Avenida Paulista, eu e o Kelvin, de ponta a ponta, o passeio acompanhado de uma inigualável conversa fiada na qual falamos inclusive de Saer, e que escrevi como se fosse uma versão 2.0 de <em>Glosa - </em>pardacenta, turbulenta, edulcorada, mas minha, enfim meu manifesto de libertação do jugo da prosa de Saer<em>. </em>Sei muito pouco sobre esse livro além disso, mas sempre imagino que vou estar feliz no dia do lançamento.</p>
<p><a href="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/05/ideiasqueokelvinmedeu1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-396" title="ideiasqueokelvinmedeu" src="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/05/ideiasqueokelvinmedeu1.jpg?w=224&#038;h=300" alt="" width="224" height="300" /></a><a href="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/05/ideiasqueokelvinmedeu.jpg"><br />
</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ensaio.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ensaio.wordpress.com/394/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ensaio.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ensaio.wordpress.com/394/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ensaio.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ensaio.wordpress.com/394/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ensaio.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ensaio.wordpress.com/394/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ensaio.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ensaio.wordpress.com/394/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ensaio.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ensaio.wordpress.com/394/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ensaio.wordpress.com/394/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ensaio.wordpress.com/394/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=394&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Exercícios de Crítica Literária Contemporânea</title>
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		<pubDate>Thu, 05 May 2011 23:32:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antoniomarcospereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[1. O comentário biográfico incide reiteradamente sobre dois processos em Henry James. Um, é seu tartamudear: não é de forma alguma uma gagueira, mas uma enunciação hesitante e tateante que o persegue desde muito cedo. Não há gravações de James, mas podemos imaginar a sequência de Well&#8230; Uhm&#8230; I mean&#8230; So&#8230; etc Outro é o uso que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=389&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>1.</strong></p>
<p>O comentário biográfico incide reiteradamente sobre dois processos em Henry James.</p>
<p>Um, é seu tartamudear: não é de forma alguma uma gagueira, mas uma enunciação hesitante e tateante que o persegue desde muito cedo. Não há gravações de James, mas podemos imaginar a sequência de <em>Well&#8230; Uhm&#8230; I mean&#8230; So&#8230; </em>etc</p>
<p>Outro é o uso que faz de um amanuense: por volta dos 50 anos, James começa a manifestar os sintomas do que hoje é a conhecida Síndrome do Túnel do Carpo e, como uma resolução para seu sofrimento cotidiano, contrata um copista. É possível imaginá-lo, a partir desse momento, alterando sua rotina de trabalho, e incorporando ao seu processo composicional um deambular pela sala, um ir e vir que ocorre em paralelo à enunciação enquanto o copista, silencioso, oculto, atento, copia.</p>
<p>Estabeleça um paralelo entre os incidentes citados e as peculiaridades do discurso indireto livre na obra tardia de James, com particular atenção a <em>The Golden Bowl</em>.</p>
<p><strong>2.</strong></p>
<p>Em 1942, Bowles se mudou para um apartamento na 14th St com a 7th Ave. O ocupante anterior tinha sido Duchamp e, assim, eles se conheceram.</p>
<p>Improvise.</p>
<p><strong>3. </strong></p>
<p>É conhecida a afirmação de Piglia: <em>A critica é uma das formas modernas da autobiografia. Um sujeito escreve sua vida quando crê estar escrevendo suas leituras.</em></p>
<p>Disserte sobre o tema, considerando as manifestações em <a title="Kelvin, evidentemente" href="http://falcaoklein.blogspot.com/" target="_blank">A</a>, <a title="Aline" href="http://godotnaovira.wordpress.com/" target="_blank">B</a>, e <a title="Refrator, de te fabula narratur" href="http://docurvelano.blogspot.com/" target="_blank">C</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ensaio.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ensaio.wordpress.com/389/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ensaio.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ensaio.wordpress.com/389/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ensaio.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ensaio.wordpress.com/389/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ensaio.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ensaio.wordpress.com/389/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ensaio.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ensaio.wordpress.com/389/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ensaio.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ensaio.wordpress.com/389/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ensaio.wordpress.com/389/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ensaio.wordpress.com/389/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=389&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Derridabase 2.0</title>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2011 23:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antoniomarcospereira</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/05/220px-socrates_and_plato.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-386" title="220px-Socrates_and_Plato" src="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/05/220px-socrates_and_plato.jpg?w=720" alt=""   /></a></p>
<p>O meio de uma manhã de Maio de 2011: ele está preparando aulas.</p>
<p>Essa denominação vulgar obscurece um procedimento muito idiossincrático que é, algo paradoxalmente, um dos esteios de sua profissão &#8211; que é, por sua vez, uma profissão que é tomada como dado, como envolvendo um saber que todos tem, sendo algo que todos podem. Em um certo sentido isso está correto &#8211; mas é também parte do resumo grotesco de incompreensão geral que envolve esse que é o seu trabalho, no qual ele está envolvido nessa manhã.</p>
<p>A certa altura, ele hesita. <em>Devo discutir Derrida aqui? </em>O debate que pretende travar com os alunos hoje circunda as relações entre etnografia e estruturalismo, então talvez valha a pena recuperar algo de &#8220;A estrutura, o signo e o jogo&#8221;, de Derrida. Ele vai à estante, procura o livro, não acha, perturba sua mulher, encontra o livro, o abre, e começa. Mas, ao invés de continuar procedendo como procedia &#8211; lendo pela enésima vez esse texto, destacando trechos em uma ficha que depois vai organizar em um esquema em outra ficha, que depois vai reproduzir no quadro e que vai utilizar como recurso mnemônico e norteador da discussão &#8211; desliza e divaga para o seu primeiro encontro com esse texto, na época do mestrado, há mais de quinze anos.</p>
<p>O que era esse texto para ele, então? Um enigma, uma foice a recolher de um golpe só suas entranhas, sua suposta inteligência, sua capacidade de se defrontar com o desconhecido reduzida a uma cabeça de fósforo, tudo reduzido à sua devida insignificância hermenêutica.  A primeira vez que ouviu uma menção a esse texto ocorreu no meio de um discurso inflamado de uma professora, uma cientista política de quem não ouve falar há muito, muito tempo, mas que sabe que se aposentou cedo, nunca terminou o doutorado e mora, se ainda vive, no interior. Essa mulher tinha uma têmpera única, ele nunca viu de novo aquele tipo específico de condução da energia em uma discussão: qualquer conversa podia se transformar em um debate, e um debate era sempre um engalfinhar-se, mas era como se houvesse uma alegria de fundo, um automatismo como o do riso quando vem, inevitável, irresistível, no fim de uma piada. Uma vez ela disse <em>Vendi todos os meus livros e deixei só uns de Foucault</em>; outra vez, perguntou <em>Ora, você não está levando isso a sério, não é, rapaz? E se você não está levando a sério então porque é que tá levando, hein? </em>E ele, obviamente, nada soube responder.</p>
<p>Essa foi a mulher que uma vez lhe disse <em>Ficam aí discutindo como se Derrida nunca tivesse escrito </em>A estrutura, o signo e o jogo no discurso das ciências sociais, <em>ficam aí tergiversando como se isso fosse nada. </em>Essa declaração, em sua força enigmática, oracular, o inquietou enormemente &#8211; e lá foi ele, contrito e cdf, procurar ler o que deveria já ter lido, sempre atrasado e aflito, sempre atrás de si mesmo, demasiado lento pra ser eficaz ou achar que está em sintonia certa com seu tempo, suas necessidades, tudo que é imperativo saber para ser. Essa primeira leitura, realizada na biblioteca da universidade, incompreensível, não foi menos oracular que o proferimento que o havia levado à leitura &#8211; e foi ela que retornou hoje, enquanto ele preparava sua aula, pensando no que debater com seus alunos, quinze anos depois de todos esses incidentes, sua memória cheia de lembranças e nomes desses personagens perdidos com os quais conviveu e que foram remexendo nele como se fosse de barro, como se ser jovem fosse o mesmo que não ter nenhum formato, nenhum livro de Foucault a preservar, a menor consciência do que disse Derrida, e na verdade nada a dizer.</p>
<p><em>O que era isso, considerando o ensino?</em>, ele pensa, <em>O que ela estava, de fato, ensinando? </em>Pensa isso e, rapidamente, descarta, isso não é interessante, não é sempre que se ensina, muito menos que se aprende &#8211; essas coisas na verdade são difíceis, remotas, e adventícias, provável efeito colateral de uma outra coisa, um enigma mais vasto, talvez mais interessante, mas a hora avança, a manhã se consome, o tempo passa e a aula chegou &#8211; e nela, evidentemente, nada disso foi dito.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ensaio.wordpress.com/385/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ensaio.wordpress.com/385/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ensaio.wordpress.com/385/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ensaio.wordpress.com/385/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ensaio.wordpress.com/385/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ensaio.wordpress.com/385/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ensaio.wordpress.com/385/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ensaio.wordpress.com/385/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ensaio.wordpress.com/385/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ensaio.wordpress.com/385/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ensaio.wordpress.com/385/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ensaio.wordpress.com/385/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ensaio.wordpress.com/385/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ensaio.wordpress.com/385/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=385&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>No hay banda</title>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2011 00:22:07 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Ler <em>A Preparação do Romance </em>me fez lembrar do magnífico e anômalo <em>The Unstrung Harp, or: Mr Earbrass writes a novel. </em></p>
<p><em></em>O primeiro trabalho de <a title="As pessoas andam achando que eu invento os autores que comento aqui, o que não é verdade" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Edward_Gorey" target="_blank">Edward Gorey</a>, publicado em 1953, é um ensaio sobre a monotonia, o tédio, o sucesso e, claro, a escrita, a escrita de ficção, o empenho do ficcionista. Gorey tinha então 28 anos: vamos estimar que aquilo é resultado de um labor concentrado de um ano e de leituras que, chutando, vem desde a adolescência, o que se agrega a imagens e compromissos passionais perdidos na aurora da identidade para, pouco antes dos 28 anos, tudo se coagular no lamentável Mr Earbrass, sua fronte-nariz, seu bigode, seu olhar perplexo, suas manias vitorianas, e sua harpa sem nenhuma corda.</p>
<p>Trata-se, evidentemente, de um elogio a um exercício laboral que, já nos anos 50, demonstrava fadiga e sinais de decrepitude. Observamos que nos recônditos da mansão vazia de Mr Earbrass há muito pouco: supostamente, é um espaço convidativo à lassidão e ao conforto, mas o que vemos são livros, papéis, candelabros, solidão, insistência, labor. Como ajustar o título à trama? O que é esse personagem? O que fazer com o incidente crucial do capítulo 3 no capítulo 19? Quem fala agora? Quem ouve? Quem entende?</p>
<p>E, no entanto, como uma manobra de pura contrariedade: um personagem, subitamente, o assombra; uma passagem próxima da virada de um corredor sussurra uma música vagamente familiar; o cansaço é enorme, algo se insinua por trás de uma cortina. Sabemos que esse Autor não sabe o que está fazendo, isso é óbvio: há muito mais pergunta que resposta, muito mais titubeio que conhecimento de causa. Mas vemos um <em>savoir faire </em>em operação aqui: o Autor insiste, sabe que <em>tem de fazer</em>, recorta, cola, joga fora, desiste, refaz, padece de insônia, lamenta, lamenta e pois, <em>voilà, </em>o livro está pronto, seu título é <em>The Unstrung Harp</em>.</p>
<p><a href="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/05/tuh06.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-380" title="tuh06" src="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/05/tuh06.gif?w=720&#038;h=438" alt="" width="720" height="438" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ensaio.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ensaio.wordpress.com/379/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ensaio.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ensaio.wordpress.com/379/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ensaio.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ensaio.wordpress.com/379/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ensaio.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ensaio.wordpress.com/379/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ensaio.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ensaio.wordpress.com/379/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ensaio.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ensaio.wordpress.com/379/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ensaio.wordpress.com/379/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ensaio.wordpress.com/379/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=379&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Barthes ria</title>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 21:38:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antoniomarcospereira</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/05/barthesatbb.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-375" title="barthesatbb" src="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/05/barthesatbb.jpg?w=720" alt=""   /></a></p>
<p>Em um momento formidável (um de muitos momentos formidáveis) de seu <em>A Preparação do Romance, </em>Barthes diz, a respeito de Sidônio Apolinário:</p>
<blockquote><p>Bispo de Clermont-Ferrand (século V) que defendeu Clermont contra os visigodos (importante obra poética).</p></blockquote>
<p>Era uma gracinha? Será que Barthes estava cortejando o riso da audiência, sugerindo aí uma alça de leveza a ser inscrita na matéria trágica de sua exposição (o luto, a dificuldade de mudar, o absurdo da <em>Vita Nuova)</em>? Eu ri e achei bom: era isso? Rindo, leio bem essa formulação, de chofre e anacrônica, de uma performance poética? O que ele queria com esse colateral?</p>
<p>Há alguns anos, em um evento peri-acadêmico, vi <a title="O Teixeira Coelho" href="http://archestesia.blogspot.com/2011/03/construcao-do-sentido-na-arquitetura-j.html" target="_blank">um luminar da crítica local</a>, em exercício, louvar, via Stockhausen, a Obra de Arte Total que era/ seria o 11 de Setembro: as torres fabulosamente em chamas, a irrupção do absoluto inesperado cancelando a rotina, o concerto das nações com a respiração suspensa, o nunca-ouvido e o jamais-visto juntos e simultâneos. <em>Grande bosta, </em>pensei, <em>grande cretinice. </em>Mas, claro, funciona como um doce de má-qualidade que vem, todavia, no melhor dos invólucros, o próprio doce de chucrute que uma vez me foi oferecido na casa de uma namorada, que recebi como se fosse grande coisa e que se provou uma ofensa ao paladar, uma afronta, um surto que tomou de assalto minha língua, colonizando-a com um ressaibo diabólico. Vem embalado em Stockhausen, agonizante intelectualmente e vivendo sua miséria particular e seu envelhecimento, vem com Schklovsky também, e o kit multiuso do Estranhamento, vem A Possibilidade da Arte no Século XXI &#8211; mas nada disfarça seu sabor hostil, a Crítica como a falência da Graça, o contrário da Graça, pura assertividade dura, pura peremptoriedade, precisamente o contrário do que encontro, quase sempre, em Barthes.</p>
<p>Muito bem: comentei isso hoje com <a title="O Camarada Pompeu" href="http://glaspo.wordpress.com/" target="_blank">um amigo</a>, pessoa sensível e, na medida do possível, sensata: está escrevendo uma tese sobre Sebald e, como é próprio de momento de escrita de tese, anda mergulhado nessas coisas. Nos falamos ao telefone, obviamente sobre a tese, Sebald e, nessa vizinhança aí (Austerlitz, ruína, etc) o papo derivou para a imolação do Bin-Laden e, por essa via, para nossas memórias do 11 de Setembro. A certa altura, ele me disse algo como <em>Camarada, o nosso é um mundo desgraçado, no qual até as Teses sobre a História de Benjamin são ridicularizáveis, são ridículas, pois não há mais nem resíduo da possibilidade de barrar o maldito progresso da ruína &#8211; e essas afirmações de Stockhausen não ficam atrás do sistema de esforços para dizer que o que acabou ainda não acabou. </em>Não sei se entendi, mas ele ria ao falar &#8211; e eu, que sou seu amigo, ri também, como se entendesse, e assim nos despedimos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ensaio.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ensaio.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ensaio.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ensaio.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ensaio.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ensaio.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ensaio.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ensaio.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ensaio.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ensaio.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ensaio.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ensaio.wordpress.com/374/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ensaio.wordpress.com/374/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ensaio.wordpress.com/374/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=374&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dia do Trabalho, 2011</title>
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		<pubDate>Sun, 01 May 2011 00:57:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antoniomarcospereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É o Dia do Trabalho de 2011. Nada melhor do que recuperar um trecho de uma das autobiografias de Schklovsky, Zoo, or letters not about love. Escritas e publicadas em Berlin no início da década de 20, essas cartas forjam um romance epistolar sui generis. Há um romance entre o autor das cartas e &#8220;Alya&#8221;, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=364&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/05/moral-codex1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-368" title="Moral Codex" src="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/05/moral-codex1.jpg?w=720" alt=""   /></a></p>
<p>É o Dia do Trabalho de 2011. Nada melhor do que recuperar um trecho de uma das autobiografias de Schklovsky, <em>Zoo, or letters not about love. </em></p>
<p><em></em>Escritas e publicadas em Berlin no início da década de 20, essas cartas forjam um romance epistolar <em>sui generis</em>. Há um romance entre o autor das cartas e &#8220;Alya&#8221;, a destinatária, isso parece claro &#8211; mas, na verdade, é ambíguo, e sua maior clareza está em perdurar no fio da navalha, amor sem dizer o próprio nome jamais, amor que se infere e se toma por certo, na exclusão de outras possibilidades, que parecem candidaturas menores no espectro das emoções. O livro teima em refratar toda certeza em seu vórtice de autoreferencialidade; o narrador, que está em Berlin, é fustigado por mil senões. Volta e meia, retorna sobre seu texto, desdiz, entorta o que disse em uma carta anterior, ou ficcionaliza algo que já havíamos tomado por certo como fato &#8211; estamos, é sabido, nas mãos de um admirador de Sterne, que compreende o Romance como teimosia disciplinada do artifício em luta contra o empenho seguro da linha reta, estamos na região em que sempre podemos nos dar conta de que não sabemos: é essa Berlin de imigrantes russos, que conhecemos em Nabokov, um mundo no qual Benjamin passeia também.</p>
<p>Numa carta datada justamente de Primeiro de Maio de 1921, o narrador inclui um panfleto: na verdade, inferimos isso, uma vez que ele menciona ter ido a uma reunião e, depois da despedida habitual das cartas (&#8220;Seu, etc&#8221;), aparece um asterisco no meio da página: em uma tipografia diferente, com letras chapadas e maiores, lemos:</p>
<blockquote><p>Primeiro de Maio.</p>
<p>O Camarada Trabalha &#8211; pois, apesar de ser domingo, a Revolução urge, e não há hora que não seja apropriada para combater a Vilania.</p>
<p>É monstruoso que a irracionalidade tome conta do Trabalho, e que a competição com seu Irmão Trabalhador seja a marca maior do endereçamento laboral do Camarada.</p>
<p>É vil que o Trabalho construtivo, salubre e bom do Camarada se dissipe tão facilmente na volatilidade, e que seja apropriado pela mão mesquinha e sistemática do Controlador Burocrata que, com sua pena seca, pretende rescindir o Camarada da Memória, da História, da Vida.</p>
<p>O Camarada sabe que seu Inimigo é, também, seu Irmão &#8211; sabe e sofre com isso, pois por mais bruto que tenha sido o triturador, a Revolução será feita também com o Coração, ou não será.</p>
<p>O Camarada sabe, ainda, que seu Inimigo é, também, ele mesmo, o próprio Camarada &#8211; quando fraqueja e se dissipa, quando se distrai ou esquece, quando se perde da Alegria e do Amor e abraça a Grande Melancolia de Existir ao invés.</p></blockquote>
<p>Fico estupefato com essas palavras, dirigidas a mim noventa anos depois de sua fatura como se fossem o murmúrio de um amigo que, ao abraça-lo, diz em seu ouvido exatamente o que você precisa ouvir, a indenização própria e justa para toda sensação de falência, toda vã consumição de tempo, de vida, de alegria e de amor. Ao trabalho, pois.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ensaio.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ensaio.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ensaio.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ensaio.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ensaio.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ensaio.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ensaio.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ensaio.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ensaio.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ensaio.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ensaio.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ensaio.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ensaio.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ensaio.wordpress.com/364/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=364&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Saída à Francesa</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Mar 2011 03:55:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antoniomarcospereira</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Você vem trabalhando há quase um ano em uma biografia: um texto que deve narrar, em alguma medida, episódios da vida de um autor argentino que viveu a maior parte de sua vida na França e morreu recentemente. Suas razões para o empenho são, em certa medida, ponderáveis e solidárias, mas tem também sua cota de obscuridade. Você crê, por exemplo, que parte de seu interesse em produzir uma biografia e em se dedicar com tanto afinco a esse trabalho em particular confirma um traço seu que, na falta de maior possibilidade de precisão semântica vou chamar no momento de <em>subalternidade eletiva: </em>você não deseja ocupar o centro do palco nem em seu próprio livro, quer viver como uma nota marginal a uma reputação já construída, que é a do Autor, e a sua própria reputação seria manobrada obliquamente, adjacente à daquele autor que você admira, e valorizada pela eventual astúcia de uma invisibilidade, em uma espécie de eterna saída à francesa.</p>
<p>Considerando uma insistência do Autor em uma conhecida antinomia de Flaubert &#8211; que disse, famosamente, tanto <em>Madame Bovary sou eu</em> quanto <em>Há uma Madame Bovary em cada cidade francesa</em> &#8211; você começou a ler biografias de Flaubert e, com isso, lhe ocorreu que não poderia ser de todo ruim ler enfim o Flaubert inteiro, em ordem cronológica, e acabar com isso de uma vez. Ler como se estivesse lendo tudo pela primeira vez (como se isso fosse possível): ler como se estivesse escrevendo uma biografia de Flaubert, ao invés de seu Autor de eleição, numa projeção da qual você espera também retirar alguma coisa, algum <em>insight</em>, alguma sugestão de procedimento ou uma faixa maior de segurança e graça. Você vai ler cada livro de Flaubert, e também os diários de viagem e as cartas; vai ler a biografia de Brown e a de Steegmuller e terminará o esquema lendo mais uma vez o livro que tanto lhe divertiu, o blasfemo e despreocupado <em>Flaubert&#8217;s Parrot, </em>de Barnes.</p>
<p>Você está assim, ligeiramente despreocupado, domingo à noite, agora há pouco, vivendo essas suas ficções: que você é um biógrafo, que ler Flaubert lhe faz bem, que você terá tempo. Repleto de boas intenções com seu programa especial, você se vê ao longo da leitura lembrando de outras frases, outras coisas lidas ficam interferindo e chamando sua atenção. É um momento de pequeno horror, você sabe que as frases não são suas, mas você não sabe de quem são, e afinal você também duvida, pode ser que sejam suas mesmo, um artifício de combinatória qualquer que você ignora e, de repente, elas saltam aos olhos porque fazem sentido, porque lhe dizem que tudo que você pensa é usado e de segunda mão, tudo que você vive é mais ou menos caótico, mais ou menos obscuro &#8211; e, no entanto, digamos, tudo bem, lá vai você escrevendo a vida de um Autor que você admira e, afinal de contas, de onde vem a admiração senão de um momento de clareza fugaz mas ainda vívido na memória no qual, ao ler, você percebe uma zona de obscuridade em si mesmo, descobre que sabia algo que efetivamente não sabe, mas não importa, pois naquele momento você não se envergonha, você não sabe e nisso, sim, você se dilui, igual a todos e capaz de se esquecer de si mesmo por esse momento que seja, pelo menos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ensaio.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ensaio.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ensaio.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ensaio.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ensaio.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ensaio.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ensaio.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ensaio.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ensaio.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ensaio.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ensaio.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ensaio.wordpress.com/359/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ensaio.wordpress.com/359/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ensaio.wordpress.com/359/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=359&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Joseph Mitchell, Dad, 1992</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Feb 2011 21:19:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antoniomarcospereira</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Lembramos daquele comentário de Piglia: um crítico narra sua vida ao escrever sobre os livros que leu &#8211; suas leituras inscrevem um padrão de saliências específico nos textos, uma marca de identidade hermenêutica. Isso faz sentido: basta ler o blog do <a title="O blog do Zé Castello" href="http://oglobo.globo.com/blogs/literatura/" target="_blank">Zé Castello</a> ou o do <a title="Kelvin, O Magnífico" href="http://falcaoklein.blogspot.com/" target="_blank">Kelvin</a> por um mês pra perceber que há algo dessa ordem em operação &#8211; não é apenas <em>estilo</em>, é mais um <em>modo de usar</em>.</p>
<p>A publicação recente de uma tradução de trechos dos <a title="Cheever na Piauí, traduzido pelo Daniel Galera: bom pacas" href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-53/diario/minha-natureza-atormentada" target="_blank">Diários de Cheever</a> me fez dar atenção ao canto da estante no qual estão depositados meus livros de Cheever &#8211; Cheever estava na berlinda, vários conhecidos comentando, então pensei em Cheever de novo, fui me aproximar dele de novo, e fui pro canto da estante onde estão seus livros:</p>
<p><a href="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/02/lib-11.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-351" title="lib-1" src="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/02/lib-11.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>É só um amontoado de livros &#8211; mas a história do seu amontoamento é, certamente, uma biografia: o crítico também escreve sua vida nos livros que acumula, como os acumula, como os separa, organiza e controla, o que mantém, o que dissipa. Ora, tenho trabalhado como um cão ultimamente pra escrever uma biografia de Saer &#8211; mais: para dar sentido ao projeto de sentar todo dia para escrever uma biografia de Saer. Se esse arroubo a respeito da vida nos livros que se tem funciona, o que faria eu diante de um trecho de prateleira de livros de Saer? Esses livros seriam indício suficiente de quê? Servem para quê, a não ser para serem manuseados por febris epígonos fanáticos, eventualmente fazerem uma graninha para a família, os Nobres Livros do Autor Morto &#8211; servem para quê?</p>
<p>Posso favorecer a hipótese da utilidade tomando minha própria prateleira na foto como exemplo: aí estão minha vida em NY (os balcões mais baratos da <a title="Livro pra caralho" href="http://www.strandbooks.com/" target="_blank">Strand</a>), uma ex (duas, melhor dizendo), um amigo perdido, a época em que queria ser tradutor, o momento em que parei de fumar (era 2008, janeiro, e estava lendo os Diários de Cheever), etc. Aí está também aquela história do Kelvin indo no <a title="Berinjela, Terra de Nominalistas Rortianos, como eu" href="http://www.overmundo.com.br/guia/sebo-berinjela" target="_blank">Berinjela</a> vezes sem conta e vendo o volume de cartas do Cheever e paquerando o livro sem comprar até que, anos depois, o <a title="Na verdade não foi esse Berna - foi o outro, mas dá no mesmo" href="http://livrosquevoceprecisaler.wordpress.com/" target="_blank">Berna</a> o enviaria pra mim &#8211; exatamente o mesmo livro, passando por dois amigos meus, e chegando a mim graças ao antigo dono, ignorado, sem nome  pra mim, que um dia o depositou lá no Sebo &#8211; e como abriu mão das cartas de Cheever, em benefício de quê.</p>
<p>Aí está também, envolvido num papel pardo para proteger um pouquinho a capa, um de meus livros favoritos, o quarto exemplar que tenho do mesmo livro, <em>Up in the Old Hotel</em>, de Joseph Mitchell. Mitchell, que tinha uma paciência de Jó, escreveu esses textos maravilhosos, nos quais não se conta quase nada: são só umas histórias de tipos ordinários, que se fazem envoltos em mistérios vãos acho que mais pela força magnética que a noção de idiossincrasia  exerce sobre nossa espécie que por qualquer outra razão. São histórias de quase nada, e todavia. Lembro de uma época em que lia os capítulos, ritualisticamente, toda terça e quinta à noite: eu não trabalhava nesses dias, e ficava grifando trechos e sonhando em escrever bem (eu também fumava, e nem pensava em parar). Lembro de minha melancolia ao ler <em>Joe Gould&#8217;s Secret, </em>e como me surpreendeu o fato de estar aparentemente mais tocado ao ler o texto pela segunda vez, tolamente surpreso por estar contrariando uma regra pseudocristã que dá sempre mais valor ao mais virginal (li esse texto em voz alta uma outra vez, lembro). E outro dia &#8211; está fresco, foi agorinha mesmo, agora no Natal &#8211; cheguei no hotel de uma visita a mil sebos, cheio de livros, feliz, e com mais um volume do mesmo livro de Mitchell. Deitei na cama, abri o livro e vi, então, a dedicatória.</p>
<p><a href="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/02/foto1130-cc3b3pia1.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-355" title="inscription" src="http://ensaio.files.wordpress.com/2011/02/foto1130-cc3b3pia1.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ensaio.wordpress.com/349/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ensaio.wordpress.com/349/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ensaio.wordpress.com/349/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ensaio.wordpress.com/349/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ensaio.wordpress.com/349/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ensaio.wordpress.com/349/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ensaio.wordpress.com/349/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ensaio.wordpress.com/349/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ensaio.wordpress.com/349/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ensaio.wordpress.com/349/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ensaio.wordpress.com/349/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ensaio.wordpress.com/349/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ensaio.wordpress.com/349/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ensaio.wordpress.com/349/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=349&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>I am Assange</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Dec 2010 01:04:23 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Muitos vão duvidar, assim como eu duvido agora de mim mesmo, mas vou mencionar Saramago laudatoriamente, utilizá-lo e, com isso, enviar meus leitores à leitura dele. O que, convenhamos, não é de todo mau. O caso está em A Jangada de Pedra, que foi o primeiro livro dele que li, em um verão bem distante, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=342&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ensaio.files.wordpress.com/2010/12/assange-warhol.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-343" title="assange warhol" src="http://ensaio.files.wordpress.com/2010/12/assange-warhol.jpg?w=300&#038;h=252" alt="" width="300" height="252" /></a></p>
<p>Muitos vão duvidar, assim como eu duvido agora de mim mesmo, mas vou mencionar Saramago laudatoriamente, utilizá-lo e, com isso, enviar meus leitores à leitura dele. O que, convenhamos, não é de todo mau.</p>
<p>O caso está em A Jangada de Pedra, que foi o primeiro livro dele que li, em um verão bem distante, quando ainda dividia apartamento com <a title="Dick Noir is here" href="http://www.andrefranca.com/" target="_blank">Dick Noir</a>, e que li por recomendação dele. O mote do livro, sabemos, é que a península ibérica se descola do resto do continente &#8211; fica aí, uma massa de terra, o que se faz com ela, aterrorizando o Atlântico, solta. Há um belo momento, quando a ficha cai, os Europeus se apercebem do que está em jogo com a península à deriva e, como sempre, nas engajadas universidades parisienses começam a dizer <em>Eu também sou Ibérico</em>. O que, entendi, queria dizer <em>Eu também sou Outro, </em>ou <em>Sem o Outro não sou eu &#8211; </em>algo dessa ordem. É lindo, é uma apoteose, um florescimento. Se esgarça, obviamente, o livro tem outros destinos, o Autor deseja, nesse caso creio que desgraçadamente, muito mais. Mas é uma onda, é emocionante, e também diz algo, pois o incidente está repleto daquilo que faz com que ainda hoje falemos &#8220;Maio de 68&#8243; &#8211; há aí coisas ditas, coisas feitas, e fermento imaginário e conversacional fazendo o evento crescer e se sedimentar como um fato que sempre ultrapassa o slogan que, supostamente, o define.</p>
<p>Para comentar e situar o caso específico do Wikileaks e da prisão de Assange, não poderia fazer nada melhor que o Avelar já fez <a title="Avelar sobre Assange" href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/12/wikileaks_o_1_preso_politico_global_da_internet_e_a_intifada_eletronica.php" target="_blank">aqui</a> &#8211; como sempre com a bala na agulha, ele organiza o incidente em uma narrativa, faz do bruhahá um fio na trama do presente, e com isso nos ajuda a produzir sentido e encontrar um lugar na narrativa também. Um lugar que pode ser esse, de dizer <em>Eu sou Assange, Eu  também sou Assange. </em>Isso, em meu caso, quer dizer que não tive a vida aventuresca e heróica que ele teve e tem, e que não estou na berlinda como ele está &#8211; mas que há algo de empatia entre o que eu julgo justo e bonito fazer e o que ele passa a ser quando, a respeito dele, podemos dizer coisas assim. E Herói é pra isso mesmo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ensaio.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ensaio.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ensaio.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ensaio.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ensaio.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ensaio.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ensaio.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ensaio.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ensaio.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ensaio.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ensaio.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ensaio.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ensaio.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ensaio.wordpress.com/342/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ensaio.wordpress.com&amp;blog=507824&amp;post=342&amp;subd=ensaio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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