ensaio

Fábula zen adaptada

Publicado em Ensaio por antoniomarcospereira em novembro 16, 2009

Estava conversando com Maurício hoje sobre isso – na verdade, a conversa era sobre a gota de Conrad, mas de uma coisa a outra terminamos nisso de histórias zen e lembrei de uma coisa que li na biografia de Stape, The several lives of Joseph Conrad.

Conrad estava no Congo e, como sabemos, quase nada dava certo. O barco, arruinado, era remendado no que chamavam caridosamente de porto; entediado e febril, ele não sabe o que fazer, espera uma resolução, que resolvam por ele, até que de fato o acaso resolve, pelo menos em parte, sua indecisão, confinando-o, doente, à cama.

É fim de tarde, ou parece isso pela luz. Em seu torpor debaixo do mosquiteiro, ouviu dois homens murmurando no alpendre, e esforçou a vista para enxergar melhor. Um deles tentava acender um cachimbo e, depois de ouvir uma frase, deixou o cachimbo cair – tremeu? Terá tremido? O outro insistia – falava em voz baixa, mas com veemência – e tocou no ombro do que queria fumar, ergueu um dedo. Não, não!, dizia o primeiro, enquanto se abaixava para recolher o cachimbo e um pouco do fumo. Não, não!, insistia, respondendo ao murmúrio do insistente.

Conrad viu e ouviu isso, ou acha que viu e ouviu – depois, não vai conseguir lembrar quem falou o que, ou mesmo se alguém falou alguma coisa. O que tinha sido testemunhado juntou-se ao meio mal lembrado e resultou que foi com isso que Conrad sonhou logo depois:

Um homem caminha, muscular mas ofegante, andrajoso; quer sair da selva, se rasga nos cipós, o mato é hostil. Vê um esmaecimento e isso lhe parece bom: se dirige pra lá e, quando se aproxima, sente um puxão na perna. Olha – é uma jibóia, imensa, que começa a se enroscar. Decide ignorá-la e insiste avante, se embaraça nos passos agora mais pesados: está negociando a caminhada com um membro sinuoso adicional e com vontade própria, mas adia este problema, e prossegue. Já é fato: ouve o resfolegar da máquina do trem, a vibração da máquina, está perto de um trilho de trem. Mais uns passos, mais dificuldade, menos fôlego, cai, tropeça em si mesmo, a jibóia avança entre suas pernas mas, enfim, alcança os trilhos e, nesse exato momento, seu olhar divisa um lampejo do outro lado das folhas: é uma manta, parece um planta que se move e recua um pouco e, antes que possa sequer discriminar o que vê, muito menos refletir ou ponderar sobre um curso de ação possível, tendo já arrastado a jibóia por um bom quinhão, sente o vapor da proximidade do tigre. Cai nos trilhos: uma parafernália indecifrável. O trem se aproxima, vira a curva. Ei-lo agora:

fabulazen

Conrad acorda nesse momento, está suado. Que alívio!, pensa, Que sorte! Anos depois, quando lembra dessa história – incomodado com a gota, entediado e adoentado, mas agora bem fornido e aconchegado em seu inverno britânico – pensa também que não sabe quem teve sorte. Ele ou o homem do sonho? Quem teve sorte?

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Romance de Formação – 1

Publicado em Ensaio por antoniomarcospereira em outubro 31, 2009

1. Já proferi, com valor de verdade, as seguintes sentenças: Aprendi Inglês com Bob Dylan (1995); Aprendi Inglês por causa de Bob Dylan (2006); I’ve started to learn English with Bob Dylan, trying to translate his lyrics (1989).

Dylan Rotolo Blues

2. No meio de uma conversa, com propósito de azaração, por volta de 1991, proferi a seguinte frase: Não, que nada, nunca gostei de Sex Pistols não, sempre achei chato pra caralho. Bom é Clash, punk é The Clash, London Calling, ali sim. Azaração foi mal-sucedida.

Joe Strummer era meu pai

3. “Comprei” esse disco como parte de meu “salário” enquanto trabalhava na Kaya, por volta de 1988.

Shake dog shake

3.1

Publicado em Ensaio por antoniomarcospereira em outubro 24, 2009

1.

Tentando concluir um ensaio – vejam bem: um ensaio - me vi diante de um problema. Manter uma alusão no início significava ter de retomá-la ao final e, com isso, comprometer o que já parecia uma boa conclusão: sem ápice nem melodrama, mas uma efetiva conclusão, e não um simples abandono do texto. Por outro lado, retirar a alusão tornava meu texto mais ordinário do que estou preparado para aceitar – o delírio de grandeza não é exatamente a minha praia, mas esse negócio é meu trabalho, e respeito o meu trabalho, respeito trabalho. O que fazer?

Lembrei então de um trecho de Out stealing horses do qual gostei muito. Nele, Trond, o personagem que narra a história – quase a única voz com a qual travamos contato no livro, já que tudo é contado por ele e, embora o livro não faça uso de qualquer traquinagem metaficcional, se você trabalha com esse negócio você tem de pelo menos considerar a implicação dessa escolha da primeira pessoa para uma narração: é arbitrária, mas isso não é, nem nunca foi, sinônimo de “é feita à toa” (embora às vezes seja, mas isso são outros quinhentos). Então lembrei de um trecho e, como estava em casa, fui pegar o livro, localizei fácil, estava assinalado, com rabiscos à margem e tudo o mais: é o momento em que Trond imagina para si mesmo um desenlace, que o lembra das histórias de Dickens que ele aprecia, e ele descarta esse desejo como uma coisa vã, pois “quando você lê Dickens está lendo uma longa balada de um mundo perdido, no qual tudo tem de se ajustar no final como uma equação, no qual o equilíbrio do que foi perturbado deve ser restaurado pra que os deuses possam sorrir de novo”.

Minha tradução é tosca, e já é feita de segunda mão – o original é em norueguês. É um trecho que julgo lapidar: da escolha de certos vocábulos – “balada”, “equilíbrio”, “equação” – até sua resolução em uma imagem tão datada e demodê que só pode nos lembrar de algo tão “perdido” quanto o final de um romance de Dickens ou de um filme de Frank Capra. Não as coincidências, nem o heroísmo necessariamente recompensado, nem a fibra moral justamente reconhecida – mas o bendito final feliz.

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Sobrinho

Publicado em Ensaio por antoniomarcospereira em outubro 21, 2009

Outro dia me disseram que eu puxo o saco do Kelvin aqui. Isso não é verdade, embora seja verdade que o fato de ele ser meu único sobrinho angula de maneira toda particular nossa relação, e longe de mim querer supor uma  tabula rasa – não é o caso.

Comento sobre o Kelvin aqui com frequência em certa medida porque acho o tema da amizade um pouco maltratado e subutilizado, tenho curiosidade a respeito, acho que há coisas sobre a amizade a examinar, a descobrir, a dizer. Sei que Derrida andou falando disso no fim da vida e, embora não saiba o que Derrida disse sobre esse assunto, devo dizer que o tema apareceu para  mim por outras razões. O que é um amigo? Quem é o amigo? Como se faz o amigo – como, em um dado momento, uma pessoa deixa de ser um conhecido e passa a ser um amigo? Conseguimos recuperar esse momento em particular? É a amizade um modus operandi em extinção, matéria de arquivo e memória – uma conduta datada, como usar chapéu? Em Os meninos da rua Paulo quem é amigo de Nemeczek – e de quem ele é amigo? A moeda da amizade é a verdade, algum tipo de verdade? Ou a amizade é melhor descrita como uma ficção, um tipo de ficção fora da escrita que ainda não nos ocupamos de inserir na taxonomia dos gêneros?

Venho pensando nessas questões de pouco Ibope, leio um poema que o Kelvin escreveu hoje mesmo e penso É meu amigo. É isso:


Explicação

A epifania, hoje, é
um pouco de ruído branco
misturado com um ensaio
de Gilda, Mello e Franco

Explora a vida e a matéria
como na primeira peça
de Beckett:
Eleotéria

Que quer dizer liberdade,
em grego,
sem pretender,
com isso,
desgastar a
boutade

Do verbo bouter, empurrar.
No seu Lattes não tem francês:
É por isso que eu preciso
explicar

Mas não leve a mal:
no meu não tem italiano,
ainda que eu seja fã
do velho Mastroiano

Não o ator, não:
me refiro ao livreiro,
dono daquele sebo na Liberdade.
Um pardieiro.

Lugar de gente encurvada,
cinza e manchada,
mas todos conscientes
de que ler
é maçada.


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Analogia

Publicado em Ensaio por antoniomarcospereira em outubro 19, 2009

O assunto tem uma conexão imediata com Narrathon, título de um ensaio escrito por Saer em 1972, 1973 e que aprecio a ponto de tê-lo lido mais de dez vezes, escrito um texto a respeito, e estar envolvido com a escrita de outro texto na mesma praia. Nesse ensaio, Saer dramatiza sua experiência inicial com o significante novela: diz que foi apresentado ao termo quando criança, quando suas irmãs se diziam, ou se perguntavam, ou se organizavam em torno de la novela, referindo-se à rádio novela, que nunca perdiam, que ouviam apaixonadas, e torciam, e celebravam, e choravam. E daí ele prossegue para falar de sua relação com la novela, a narração, a ficção. O resultado é magistral.

Há uma contrapartida pessoal e, obviamente, mais modesta: num momento que deve ter sido bem próximo ao momento em que Saer escrevia seu texto, lembro de meu pai, diante de algum filme (ou seriado?) na televisão dizendo Isso é ficção, meu filho, isso é um filme de ficção.  Mais adiante haverá um entendimento da elipse – de alguma maneira, vou aprender que nesse momento, o que meu pai queria dizer com ficção era ficção científica. E muitos anos depois haverá um entendimento mais elástico do termo – treinado na academia e em uma área relacionada a isso, vou passar a tratar de ficção como um conceito, ficção científica como um gênero, etc.

O que esse incidente diz sobre minha relação com o problema mais amplo e com esse gênero em particular? Ou, colocando a mesma questão de outra maneira, que espécie de fantasia infantil operava em mim quando, assistindo Distrito 9 há alguns dias, subitamente lembrei disso? Ao sair da sessão pensei nas razões para a miséria desse gênero, para sua condenação a um lugar de literatura menor, sub-literatura, coisa de adolescente, coisa datada. Pensei que, se penso diferente, se penso outras coisas sobre ficção e ficção científica, não seria por uma particularidade construída nesse primeiro encontro, nesse primeiro colapso entre uma coisa e outra?

Analog

Sonho

Publicado em Ensaio por antoniomarcospereira em outubro 6, 2009

Hoje de manhã, tomando um café com o Kelvin, falei pra ele que já fazia um tempo que não sonhava mas que ontem – fui dormir cansado pra chuchu depois de corrigir mil trabalhos e ainda fiz questão de ler uma historinha do Carver antes de capitular -, ainda naquela zona entre vigília e sono mas já com a luz apagada e tudo, ocorreu-me súbito uma imagem que julguei belíssima, e logo depois acordei com aquele sobressalto leve, levantei e fui anotar.

Eu estava na Tijuca, e andava devagarzinho, procurando lugar pra estacionar. Como estava perto do Maracanã, pensei Ah, vou dar uma passadinha lá, quem sabe eu encontro com a Lu? Estacionei, sossego total, comprei meu ingresso e entrei. Casa lotada, eu com um chopinho na mão fico procurando a Lu pelas arquibancadas e de repente a multidão faz uma ola e grita Coetzee… Coetzee… Coetzee. Olho pro alto e, saindo do interior de um helicóptero parado no ar, descendo por uma corda, está John Coetzee, ovacionado, sorridente, feliz. Chega no centro do gramado leve como uma pluma, se inclina grato e satisfeito várias vezes, e dá uma volta olímpica tranquila, acenando pra todos os lados da multidão antes de descer pro vestiário.

Que tal?, perguntei pro Kelvin.

Ele disse Vamos melhorar um pouquinho esse seu sonho. O papel picado que enche o ar do Maracanã é feito dos livros de Santiago Nazarian, Marcelino Freire e Luiz Antonio de Assis Brasil. Em uma plataforma retirada, perto da entrada dos vestiários, Zibia Gasparetto psicografa mini-contos de Franz Kafka, que serão lidos e comentados por Coetzee no gran finale. Pronto. Que tal agora?

Melhor, eu disse. Bom pra caralho agora.


Summertime

Publicado em Ensaio por antoniomarcospereira em setembro 26, 2009

Há aquela história famosa envolvendo Gershwin: ele visita Webern, declara-se um admirador, Webern providencia uma execução de algo exclusivamente em deferência ao visitante. Tudo é, obviamente, austríaco, austero. Depois, como bom anfitrião, Webern convida Gershwin a tocar algo; a proposta é recebida com acanhamento e alguma hesitação, e a esse titubeio Webern responde Ora, Senhor Gershwin, música é música.

Hoje recebi a notícia de que um amigo querido vai embora.  Eu, que já fui esse amigo que vai embora tantas vezes, lembrei não sei porque dessa história de Gershwin, e pensei em como desejei aprender a tocar piano melhor para, como num filme de Woody Allen, começar a tocar standards discretos e conhecidos de todos nas reuniões com a família e os amigos: os novos e os velhos, os idos, os que foram e os que vieram, os godos, os visigodos e os ostrogodos, todos todos todos, porque música é música.

Gershwins & Fred

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Ganhando meu pão – 1

Publicado em Ensaio por antoniomarcospereira em setembro 26, 2009

Uma vez que não acredito que nascemos com nada e que tudo que temos é fruto dos acidentes da socialização, é por força de uma massa de contribuições contingentes que virei professor. Em certa medida as razões se perdem, mas é inegável o papel de Ao mestre com carinho, assistido em casa, por recomendação de meu pai, fã de Sidney Poitier e, em geral, tenho que registrar o valor dos filmes americanos de professor nesse negócio, pois foram esses filmes que deram as cartas primeiro e, depois, os cinco ou seis professores que tive e que até hoje funcionam como modelos morais para mim, e talvez alguma noção difusa de mérito e respeitabilidade associada ao negócio: por acreditar que alguns professores que tive eram “respeitáveis” porque tinham “mérito”, achei que a coisa era boa.  Claro, também resumo o assunto dizendo que “Escolhi”.

Estou, agora, há algumas horas manobrando textos de meus alunos. Anseio pela emergência de um “simultaneamente”, ou de uma analogia entre o tema e um bulbo, vegetal ou elétrico; pela correlação insólita à beira do dadaísmo, mas que me levará a ver algo subitamente, ou pensar que vejo; por um arremate de frase que, conquanto simples, franco, sem firulas, me levará a pensar um negócio que nunca pensei nem poderia pensar antes. Esses lances, que estão provavelmente também na raiz da suposta escolha por esse ofício, que são parte do que justifica, para mim, esse trabalho, se ocultam sistematicamente, se recusam a emergir da massa de textos que é minha função comentar.

Quem se engana? Paro de me perguntar essas coisas, olho o maço de papel à minha frente, e lembro por um momento de meu personagem favorito em 2666, Amalfitano. Professor de filosofia de Barcelona lançado no sertão do México, ensinando na Universidad Autónoma de Ciudad Juarez, Amalfitano aproveita enquanto seus alunos trabalham nas tarefas acadêmicas para desenhar mil diagramas de relacionamento entre os nomes da filosofia ocidental; são matéria de delírio, mas há também um esclarecimento do delírio, uma exibição de algo inaudito e nu, que se constrói não por qualquer antecipação especulativa, mas sim por força de um motor invisível, de cuja existência só temos os efeitos. Por delirantes que sejam os diagramas, não são mais delirantes do que filosofia em Chihuahua, Heráclito diante dos cactos e das maquiladoras. Alguns dias depois esse personagem magnífico, quieto e um pouco melancólico mas muito, muito terno, pendura no varal um tratado de geometria, para que o livro aprenda algo com os vagares da natureza. Quem se engana?, pergunta Amalfitano. Quem se engana?

aula

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O papel de minha família na Revolução

Publicado em Ensaio por antoniomarcospereira em setembro 4, 2009

O papel de minha família na Revolução foi certamente insignificante. Meu avô paterno, um biscateiro e fabricante artesanal de palitos, era demasiado lumpenizado para se dar conta de suas obrigações com o Destino do Proletariado: havia seis filhos, e até hoje me pergunto em que condições ele adquiriu aquela casa escura, que só tinha uma janela na frente, ao lado da porta.

Nascido em 1903, no momento mesmo da Revolução meu avô tinha apenas 14 anos, mas isso não era efetivamente um impedimento: sabemos de heróis bolcheviques com a mesma idade, ou até menos, veja-se o caso do Jovem Lizok, por exemplo. Meu avô poderia ter contribuído para a Revolução e, mesmo que ele não houvesse contribuído para a Grande Revolução, poderia ter contribuído mais adiante, nas fileiras espanholas – ele não tinha vindo de Portugal, afinal, pobre e friorento em um navio que quase afunda? Havia um mundo a corrigir.

Mas, ao invés disso, meu avô preferiu fazer nascer meu pai e dar lugar a toda a sequência arbitrária e óbvia que nos traz até aqui.

Avô Pereira

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Biografia de Chekhov – 1

Publicado em Ensaio por antoniomarcospereira em setembro 1, 2009

O desafio de elaborar uma biografia de Chekhov quando há esforços realmente bonitos e íntegros (Troyat, sem comentários), sistemáticos à exaustão (a meticulosa mas antipática versão de Rayfield) e na fronteira da bobagem, da babação (a pseudo-peregrinação de Malcolm: afinal, ela quer conhecer ou matar O Autor?). Mas, claro, sempre há a possibilidade de outra, outra volta do parafuso, outro mergulho nos imponderáveis, pois nunca é o “que” mas sempre o “como” etc.

Conferir validade dramática a episódios subalternos, especificar as reações do Grande Autor diante de um formigueiro, ou dos “problemas sociais de sua época”. Recuperar os últimos dias de Maria Chekhova e de Olga Knipper, especular a respeito de Chekhov atravessando os Dez Dias Que Abalaram O Mundo e a Cavalaria Vermelha, as duas guerras, Stálin.

O Autor vai ao campo tentar melhorar sua peça, precisa de sossego, Moscou nada permite. Assim que chega, é acossado por mil demandas de vizinhos, moradores da vila, empregados locais; entre uma auscultação e outra, entre uma e outra batida dos dedos no tórax de um menino com tosse, Chekhov lembra das marcações de cena.

Na foto, retornando de Sakhalina (tem 31 anos: o que o autor da biografia estava fazendo aos trinta e um anos?):

Chekhov

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